Com o objetivo de esclarecer dúvidas e curiosidades de estudantes do curso de jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva, foi realizada uma entrevista coletiva com o agente Roland Lana que, há 20 anos, trabalha na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem.
A coletiva foi realizada na quarta-feira, 29 de agosto, quando o agente penitenciário contou suas experiências profissionais do seu dia a dia e como ao lidar com os presos transformou sua vida.
Várias perguntas foram feitas na tentativa de desvendar os mistérios que estão além dos muros que deveriam servir como ferramenta de socialização dos indivíduos infratores que perderam o direito à liberdade.
Roland confessou que sua profissão o tornou menos sensível a certas situações de seu cotidiano. “Todo agente deveria ter um acompanhamento psicológico após cinco anos de trabalho, mas, infelizmente, o Estado não oferece boas condições para os agentes e para os presos”.
A vida dedicada ao sistema penitenciário fez o agente enfrentar diversas situações de perigo. Ele foi feito refém durante uma rebelião, sofreu ameaças, mas garante que é respeitado pelos presos. “Aprendi a conviver com os presos e estabelecer um diálogo aberto com eles, por isso, nada me aconteceu durante a rebelião”.
Segundo informações do agente, cerca de 60% dos presos da Nelson Hungria são traficantes e, para fugir, o indivíduo teria que ser artista, por se tratar de um presídio de segurança máxima. “Já recebi propostas para facilitar fugas, mas não aceitei. Quando acontece algo do tipo, geralmente, estão envolvidos os agentes penitenciários contratados, por isso, seria importante a realização de concurso público para ocupar todas as vagas”, disse.
Lana é contra a pena de morte, pois, segundo ele, os afros descendentes, os cidadãos de baixa renda e as mulheres profissionais do sexo correriam mais risco por serem mais vulneráveis aos olhos da sociedade. “Existem presos com mais conhecimento jurídico que muitos advogados, e estes ajudam na defesa de suas próprias causas. O acesso à biblioteca e as informações externas contribuem no processo criminal”.
Cauteloso e às vezes nervoso, Roland confessa que não acredita no sistema prisional. Para ele, ao invés de mais prisões, o governo deveria investir em complexos capazes de oferecer trabalho e educação aos privados de liberdade.
“Sempre digo aos detentos para acreditarem na possibilidade de mudança de vida. Acredito que só assim eles irão se tornar pessoas de bem e livres para viverem em sociedade”.
Após dezenas de perguntas, todas respondidas de forma clara e sucinta, Roland Lana, confessa gostar da profissão exercida há duas décadas e procura usar suas experiências para criar seus filhos para a vida. “Aconselho a todos: não se deixam corromper, sejam honestos”.
Autores: Camila Vasseur, Filipe Brito, Filipe Diniz, Larissa Moreira, Paula Rabelo e Robson Rodrigues
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