Brasil figura entre os países mais corruptos do Mundo
O diretor do grupo de estudos contra a corrupção da Universidade de Salamanca, consultor da ONU e OEA (Organização dos Estados Americanos) para assuntos de corrupção, lavagem de dinheiro e crime organizado, Nicolás Rodríguez, esteve no Brasil para participar de uma entrevista a convite da entidade Advogados Públicos Federais.
Dentre os assuntos abordados, Rodríguez, ao ser perguntado sobre a corrupção no Brasil, reforçou a necessidade de mudanças culturais mais amplas, com os próprios partidos e eleitores expurgando os corruptos. “O combate à corrupção exige tempo e mudança de mentalidade da população,” alega.
Sobre a falta de percepção pública a respeito dos crimes de corrupção, Nicolás responde que apenas 5% dos crimes de corrupção são denunciados e somente 16% dos processos penais de corrupção terminam em condenação. “Apenas 1% dos corruptos de fato vai para a cadeia,” afirma.
Ao abordar a forte presença da corrupção no meio político, o consultor admite que os sindicatos e os partidos políticos têm participação e deveriam aplicar uma política de tolerância zero. “Se há políticos investigados é porque os próprios partidos os apoiam,” conta.
Como o mensalão, que foi a compra de apoio parlamentar durante o governo Lula, é um caso recente de corrupção no Brasil e que ganhou repercussão mundial, o especialista assegura que a condenação dos réus é altamente positiva. Segundo ele, nada adiantará se poucas pessoas forem condenadas em um universo de várias envolvidas e que deveriam ser julgadas.
Para finalizar, Nicolás Rodríguez considera o julgamento do mensalão um passo importante dado pela sociedade brasileira. A necessidade de que os atos de corrupção sejam fiscalizados e rechaçados pela população é outro assunto de destaque.
A entrevista foi cedida ao jornalista Marcelo Freitas, do Jornal Metro de Brasília, nessa última terça-feira, dia 23 de outubro de 2012.
Autores: Camila Vasseur, Filipe Brito, Filipe Diniz, Larissa Alves, Paula Rabelo e Robson Rodrigues
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